WORKING PAPER 94 | UMA OPORTUNIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÂO NEGLIGENCIADA?

A remoção de dióxido de carbono (CDR, na sigla em inglês) é um componente central para o alcance do net-zero e a única solução disponível para lidar tanto com as emissões residuais quanto com as históricas. Desde 2018, o setor expandiu-se rapidamente, superando 600 empresas, crescendo a uma taxa anual superior a 200% e ultrapassando US$ 10 bilhões em valor de mercado acumulado. No entanto, a atividade permanece amplamente concentrada nas economias avançadas. Este artigo examina o potencial do Sul Global para participar e se beneficiar dessa indústria emergente. As regiões em desenvolvimento detêm aproximadamente 70–75% dos resíduos de biomassa globais, 65–70% da capacidade geológica de armazenamento de CO₂ e abundante energia renovável de baixo custo, oferecendo condições favoráveis para a expansão de abordagens duráveis de CDR, como a remoção de carbono por biocarvão, BECCS, DACCS e intemperismo acelerado de rochas. Com níveis plausíveis de implantação em 2050 de 1,5 a 5 GtCO₂ por ano, o setor poderia sustentar de 3 a 9,5 milhões de empregos e gerar entre US$ 180 e US$ 600 bilhões em valor agregado anual até 2050, comparável aos principais setores industriais do Norte Global. Estudos de caso da Bolívia, Brasil e Quênia destacam configurações iniciais em que a CDR combina remoções com emprego rural, aprendizagem tecnológica e melhorias na qualidade do solo e do ar. À medida que marcos regulatórios como o Regulamento de Certificação de Remoção de Carbono da UE e o Artigo 6 do Acordo de Paris amadurecem, o alinhamento de políticas domésticas, financiamento e governança pode permitir que as economias em desenvolvimento capturem uma fatia significativa do mercado. Posicionada como uma janela verde de oportunidade, a CDR oferece um caminho para a industrialização de baixo carbono que se afasta dos modelos de crescimento extrativista, ao mesmo tempo em que contribui para a mitigação duradoura, o upgrading tecnológico e a redução da pobreza.

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